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Da comédia para o Drama

Lágrimas sino-brasileiras: Fábio Porchat na direção 

Fábio Porchat dirige adaptação para o romance da escritora chinesa

Lágrimas sino-brasileiras: Fábio Porchat na direção

Para quem acompanha a breve, mas incensada, carreira do ator Fábio Porchat não é difícil imaginá-lo como de praxe: postado à frente de um microfone e improvisando esquetes em espetáculos de stand-up comedy. Mas agora, como num globo que gira 360º para o lado oposto, o universo teatral que o acompanha sai de cena e gira até o drama. Inspirado no livro As boas mulheres da China, de Xinran Xue, ele apresenta a peça Palavras na brisa noturna a partir deste sábado na sede da Cia. dos Atores, na Lapa.

– Sou comediante e adoro, mas minha busca é por bons textos – explica Porchat, que escreve e dirige a encenação. – Foi tudo por acaso. Aquele negócio de não ter o que fazer em aeroporto, esperando conexão e folheando revistas. Aí, achei o livro.  

Passaram anos até surgir a ideia de montar o texto – baseado em relatos verídicos, que retratam os dramas vividos por mulheres na China do século 20. Leu de cabo a rabo e emprestou para sua mulher, a atriz e co-produtora Patrícia Vazquez. Ela fez o mesmo, duas vezes, até que veio o estalo: “Temos que fazer uma peça com isso”, disse.

– Na segunda leitura dela, aqueles relatos densos das chinesas tocaram com mais força. O legal é que ela teve a sensibilidade de querer aproximar da nossa realidade. Até então eu não tinha pensado. Achei que, aparentemente, fosse um universo muito distante falar de algo da China...

Mera aparência. Na “versão livremente inspirada" no romance, Porchat tratou de eliminar o distanciamento geográfico e os traços culturais  que afastavam o texto de uma perspectiva universal. Ao demolir as barreiras que  demarcavam o território chinês como pano de fundo, percebeu que o sofrimento das mulheres retratadas pela autora resumia um painel de angústias e dificuldades enfrentadas pela maioria das mulheres contemporâneas, chinesas ou brasileiras.

– É uma abordagem pouco explorada. Porque não é um trabalho feminista. Temos que fugir disso. É uma peça feminina – classifica. – Os relatos atravessam a revolução cultural do século passado. Pertencem ao mundo. Optei por um tratamento universal, que perdurasse. São histórias pesadas, mas que podem encontrar paralelo no que passam as mulheres brasileiras. 

Uma de suas primeiras decisões foi estabelecer o formato de monólogo. em seguida, escolheu cinco atrizes e decidiu que cada uma ficaria responsável por ler e selecionar as histórias que iriam interpretar.

– Quis unir o potencial de atuação com a carga pessoal de cada uma delas. Para garantir força e carga dramática. Pedi a elas que escolhessem personagens que tivessem a ver com seus sentimentos. Queria que as histórias as tocassem. Porque são tão marcantes e profundas que não havia outro jeito.

A vontade de aproximação com o texto levou o diretor a assumir o ponto de vista de  duas personagens relatadas no livro. Numa das passagens, a escritora relata a história de uma menina que ficou pendurada de cabeça para baixo durante 14 dias. No texto original, é a mãe quem relata o ocorrido, mas Porchat preferiu imaginar o que se passava na cabeça da jovem. Em outra adaptação,  sobre uma menina que tinha uma mosca como animal de estimação, ele deixou de lado os escritos.

– Ela dizia que a mosca era a única espécie viva que a havia tocado com carinho. Eu tive que entrar na cabeça dessas personagens para tentar entender melhor aquilo. Queria dar vida àqueles relatos. Ppr isso, a peça não se trata de um retrato fiel, mas de uma obra inspirada. Quis me jogar nessa história.


Cia. dos Atores – Rua Manoel Carneiro, 12, (2242-4176). Cap.: 60 pessoas. Sáb, dom., e seg., às 20h. R$ 20 (Estudantes e idosos pagam meia). Duração: 60 minutos. 14 anos. Até o fim de agosto.

20/07/2009 17:07

Comentários (4)

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