Quer um lugar tranquilo para almoçar bem no Centro? Pode parecer estranho, mas no Beco das Sardinhas tem
Isabela Fraga

Em meio à típica agitação do Beco das Sardinhas, o segundo andar de um sobrado na Rua Miguel Couto reserva um oásis para quem quer sossego e uma gastronomia mais requintada na hora do muitas vezes corrido almoço no Centro. Ali fica o Bistrô do Beco, recém-inaugurado, que tem como – humilde – pretensão virar “um lugarzinho diferente”, nas palavras da gerente Maria das Dores. Porque, diferentemente dos bares lá de baixo, o cardápio do Bistrô passa longe da sardinha. Merece ser descoberto.
Comandado pelos sócios Wagner Neves – também sócio do Café Prefácio, em Botafogo – e Renato dos Santos – dono de restaurantes na Barra e no Recreio – o Bistrô do Beco ainda está em fase de experimentações. O pessoal que vem ao meio-dia – funcionários de empresas e escritórios que ficam ali perto – pode voltar no fim do expediente. A casa já testou um happy hour dançante com banda de jazz, que agora volta com novo perfil, samba de raiz.
– Quisemos ficar em um lugar tradicional do Rio e fazer um negócio para um público diferenciado – aposta Neves.
Está certo que quem busca um almoço tranquilo quer um lugar mais escondidinho. Só não pode ser escondido demais. O Beco das Sardinhas é de fato um dos pontos mais tradicionais da cidade, movimentadíssimo, mas isso pode até afastar o cliente que o bistrô quer fisgar. A fachada é discreta e, além de um quadro-negro com itens do cardápio, pouco há na entrada que chame a atenção.
– Ninguém imagina que, no meio dos bares lá embaixo, existe um bistrô em cima – reconhece Neves. – O fato de estarmos no segundo andar faz com que o restaurante não seja visível.
Detectado o problema, às soluções: panfletos estão sendo distribuídos diariamente pelas ruas do Centro, e em breve a casa ganha um toldo com o nome na fachada.
– Há um projeto tramitando na prefeitura de revitalização do Beco, e esperamos que isso melhore a nossa exposição.
Quem o descobre se encanta. Na decoração, o conceito de elegância também está bem marcado, mas sem perder a identificação com a vizinhança. O espaço do restaurante – pequeno e aconchegante – é legitimamente carioca, os quadros enfileirados remetem à paisagens da cidade e os tons terrosos nas paredes dão um toque caloroso. O que mais chama a atenção e enfeita o salão, no entanto, não são os quadros ou os charmosos vasinhos de flores postos nas mesas. É um elemento que já estava lá na chegada do Bistrô: os vidros vermelhos nas janelas, que, com a passagem da luz, criam uma atmosfera diferente e bonita, mas sem atrapalhar a vista. O detalhe chama a atenção de quem frequenta.
– Já temos os clientes que vêm sempre aqui, os nossos habituês – diz a gerente Maria das Dores.
Para chefiar a cozinha, foi convidado o chef Erasmo Rodrigues, que já trabalhou no Zazá Bistrô.
– Gosto da atmosfera charmosa e tranquila de restaurantes como este, e sempre quis trabalhar no Centro da cidade – conta Erasmo.
Bistrô do Beco – Rua Miguel Couto, 139, Centro (2223-3970). 2ª a 4ª, das 11h30 às 16h; 5ª e 6ª, das 11h30 às 22h. Não abre nos feriados. Capacidade: 120 pessoas
Cordeiro na linha de frente
A casa oferece um menu executivo com entrada, prato principal e sobremesa por R$ 31,50, mas também há a opção de pratos à la carte, a partir de R$ 15. O freguês começa a comer com os olhos. A cozinha investe na apresentação.
– Os pratos decorados são nosso diferencial. Os peixes e chuletas são os preferidos – diz Maria das Dores.
O restaurante também tem bar, com drinques, cervejas Eisenbahn, Devassa e, em breve, chope da mesma marca, para animar as happy hours de sexta-feira. Mas não apenas as estratégias para atrair mais público estão em fase de teste no Bistrô do Beco. O menu, apesar de não ser antigo, vai ganhar algumas alterações em breve, em busca de personalidade.
– O cardápio é quase o mesmo do Café Prefácio, por isso queremos reformular, e eleger o cordeiro como o carro-chefe da casa – adianta Neves.
A carne é uma das apostas, mas há uma razão. O cordeiro é uma das principais especialidades do chef Erasmo Rodrigues, ao lado das sobremesas. Neves é ambicioso:
– Queremos que as pessoas repitam por aí: “Vou cruzar a cidade para comer aquele cordeiro”.
30/07/2009 15:22
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adoreiiii...lugar tranquilo....aconchegante e com uma culinária delicada...diferente de td q há no centro...