

Documentário sem concessões
Bolívar Torres

Em seu primeiro filme como diretora, a atriz Sandrine Bonnaire acompanha o dia a dia de sua irmã, Sabine, que é autista. Como mostrar sua condição sem expor um ente querido? Sandrine escolheu a forma mais direta, honesta e mais econômica possível, num documentário que não faz concessões. Exibe tudo, por mais perturbador que seja.
De forma complexa, a presença da diretora fora do quadro reforça a transparência do longa, discutindo dentro de seu próprio dispositivo a tênue fronteira entre o voyeurismo e a autenticidade. Em determinados momentos, a figura invisível da bela atriz parece encontrar um duplo na silhueta debilitada da irmã, numa espécie de retrato fundido, que abraça o retratado e aquele que o retrata. Hino de amor à vida, O nome dela é Sabine é também uma crítica às falhas do sistema psiquiátrico. Funciona como um antídoto a seus métodos arcaicos, que viraram o rosto para a natureza humana.
12/08/2009 14:08
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