

Grandão e muito tímido, personagem é chance para o ator brilhar
Filipe Quintans

Há algo de original, sim, neste despretensioso e humano terceiro longa de Adrian Biniez, argentino radicado no Uruguai. Operando com simplicidade, nos dá a vida de um homem grande, doce e solitário, mas sem os violinos, as furtivas lágrimas de canto de olho ou a desgraça que parece vicejar aqui entre nós, os latinos. Do longa emana clara e manifesta intenção de não complicar, de fazer cinema metodicamente e sem espalhafato. E para isso não há como torcer no nariz ou franzir o cenho.
O gigante em questão, o simpático guarda de segurança Jara, é um homem cheio de doçura nos olhos e timidez selvagem. Ele se apaixona por uma colega de trabalho mas não consegue se aproximar da moça; opta por seguí-la, à distância, através do monitor de TV ou pelas ruas da capital uruguaia. Com um desempenho quase minimalista, seu protagonista, o ator de teatro uruguaio Horacio Camandulle, diz sem falar: ouvimos sua respiração e assistimos seus olhos.
24/08/2009 10:51
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