
Filme sobre realização de documentário aborda a capacidade ou incapacidade de concluí-lo
Bolívar Torres
Antes de mais nada, uma menção ao esdrúxulo título brasileiro, que indica exatamente o contrário do original (Parlez-moi de la pluie, ou seja: “fale-me da chuva”), inspirado de uma canção de Georges Brassens sobre um homem que não gosta de tempos ensolarados. Nada a ver, porém, com a história do filme, que acompanha os conflitos em torno de um documentário sobre uma influente feminista francesa que pretende se lançar na política.
Mais uma vez, a diretora, roteirista e atriz Agnès Jaoui (de O gosto dos outros) se interessa em analisar os códigos sociais e as falsas aparências. Roteirista por formação, a cineasta (que também protagoniza o longa) se concentra principalmente nos truques de roteiro (de fato, bem amarrado) e nos diálogos. Além da falta de convicção em contar uma história através da mise-en-scène, o procedimento se esgota diante de uma abordagem um tanto plana de uma questão complexa: a distância entre a teoria e a prática (tanto no idealismo político quanto amoroso, ou a própria incapacidade de terminar o documentário em questão). Infelizmente, na hora de se deter nas relações de força e poder, Jaoui não tem a ambiguidade deliciosa de seu conterrâneo Claude Chabrol.
24/07/2009 22:02
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